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A consultora de Comércio Internacional da Alpargatas e sócia-proprietária da Suriana Trading, Angela Tamiko Hirata, assumiu mais um grande desafio: assim como fez com a Havaianas, no fim do ano 2000, Angela se comprometeu a, juntamente com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e com o apoio da Agência Brasileira de Promoção a Exportações (Apex-Brasil), posicionar o vinho brasileiro entre os melhores do mundo.
O projeto, que segundo ela não tem prazo determinado, deverá ser desenvolvido rapidamente, porém, com muita cautela. “Aquele ditado ‘devagar e sempre’ não existe. Precisamos de agilidade e cautela. Vai depender de cada vinícola o tempo que quer levar para atingir o seu objetivo”, afirmou Angela.
Em outubro de 2009, Angela foi procurada pela gerente do Projeto de Exportação Wines From Brasil do Ibravin, Andreia Gentilini Milan, que recebeu uma indicação para que a Suriana desenvolvesse um projeto de exportação para os membros do projeto, que pudesse ser desenvolvido em dois ou três anos. “Foi, de certa forma, um amor à primeira vista. Como gosto de vinho e a Andreia me passou uma imagem bastante interessante, no sentido de humildade e simplicidade, o que fechava muito com minha forma de pensar, em novembro já estávamos trabalhando o projeto que foi apresentado às vinícolas. O que mais me deixou surpresa, no bom sentido, foi ver que empresas concorrentes são muito unidas na busca por um objetivo comum, que é estar no topo das prateleiras”, ressaltou.
Conforme a consultora, comunicar bem é um grande passo para a conquista dos mercados desejados. Ela acredita que, num prazo máximo de 10 anos, o Brasil possa ter o reconhecimento merecido. “Quando você coloca um objetivo e trabalha para isso, com um bom respaldo como teremos por parte do Ibravin e da Apex, não tem porque dar errado. Ninguém faz nada sozinho, só isso que é importante as pessoas saberem”, disse ela.
Angela citou uma passagem que viveu há pouco tempo no Japão, num simpósio de moda fashion, onde as vinícolas Miolo e Valduga ofereceram um coquetel de abertura. “A surpresa foi tanta que os japoneses já estão desejando o vinho brasileiro. Muitos me questionavam pelo fato de nem saber que existia vinho aqui. Ainda estamos no ponto de alguns países acharem que no Brasil só tem Amazonas, Foz do Iguaçu, carnaval e futebol”.
Empresas exportadoras, como Aurora, Miolo e outras, não terão tantas dificuldades de posicionamento, segundo Angela, pois estas já possuem certa experiência. De qualquer forma, existe a necessidade de abrir novos mercados e consolidar o produto nos já conquistados. Já no caso das vinícolas que ainda não exportam, o trabalho será maior, indo desde a apresentação do produto, oportunidade que está sendo oferecida pela Apex-Brasil.
Para que a atividade renda bons frutos, Angela aposta na formação de parcerias no exterior. “Precisamos estar ao lado de pessoas que conhecem o mercado, a cultura e os costumes, que façam com que os nossos vinhos ocupem o melhor lugar nas prateleiras. Isso tem que começar a dar resultado ainda no decorrer de 2010. Precisamos estar presentes no melhor restaurante, no melhor ponto de venda, nas mãos do melhor somelier”, destaca.
Os principais mercados a serem atingidos num primeiro momento são Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e Hong Kong. “O planejamento deve ser muito bem estruturado para saber o quanto podemos investir e prospectarmos o retorno. A Apex está nos dando todo o suporte para a abertura destes mercados. O Ibravin está coordenando e apoiando seus associados para que consigam posicionar seus produtos e suas marcas. Afinal, sem marca, não há marketing”.
Fazendo um comparativo de seu trabalho junto a Havaianas, Angela afirmou que o produto pode mudar, mas não o conceito. “Quem toma vinho usa Havaianas e vice-versa. Nada é comprado se não atingir o público-alvo emocionalmente. A única coisa que não se compra com emoção, acredito que seja remédio. O vinho, especialmente, remete a momentos bons, celebrações, comemorações, um bom jantar, uma reunião com amigos. Apesar da grande concorrência, de ser um produto existente em praticamente todas as partes do mundo, elaborado no Brasil, com este calor tropical e com a alegria do povo brasileiro, certamente tem um sabor especial, inexistente em outros países”, explicou.
De acordo com Angela, a própria sandália Havaianas nasceu de um calçado japonês tradicional, existente desde os primórdios, que foi trazido pelos imigrantes ao Brasil e produzido com palha de arroz, chamado Zori. “O próprio relevo interno da Havaianas é marcado por pequenos desenhos que simbolizam grãos de arroz”, diz a consultora que finaliza: “Estou com um grande desafio nas mãos, que comprei junto ao Ibravin e seus associados. Certamente, esta é uma imensa responsabilidade, assim como foi, no início da década, com as sandálias Havaianas, que ficavam num canto das prateleiras, escondidas e, inclusive, chegavam a envergonhar as pessoas. Hoje, Havaianas é um motivo de orgulho, assim como devem ser os vinhos do Brasil. Fazer parte desta jornada é um privilégio. Os vinhos made in Brasil, no que depender de mim, deverão ser reconhecidos como os melhores”.
Texto e foto: Mônica Rachele Lovera especial para o Ibravin
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